A ignorância é pecado? A “burrice” à luz da doutrina católica
Uma Exortação que Interpela os Católicos
Esta reflexão dirige-se exclusivamente aos fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana. Não se trata de comparação, disputa ou julgamento de outras denominações. Trata-se de um convite interno, familiar, dirigido aos filhos da Igreja que reconhecem nela a Esposa de Cristo e a Mãe que nos conduz à salvação.
A mensagem atribuída à aparição de Nossa Senhora em Natividade, no ano de 1968, ao senhor Fausto de Faria, contém uma afirmação profundamente eclesial: a Igreja é “guardiã e intérprete primeira” da doutrina de seu Filho e deve, sem renunciar à sua essência, ajustar sabiamente sua ação diante dos tempos para melhor cumprir sua missão espiritual e evangelizadora, participando também, de forma pacífica e decidida, na solução dos problemas sociais e econômicos.
Essa exortação está em plena consonância com o ensinamento perene da Igreja.
“A igreja de meu filho - guardiã e intérprete primeira de sua doutrina - e da qual também sou mãe, transmito a seguinte exortação: Que, sem renúncia a sua essência os seus valores fundamentais, sabiamente continue ajustar sua ação a face dos tempos, a fim de melhor cumprir sua Sagrada missão espiritual, evangelizadora, sobretudo, e participar da maneira mais ampla e decidida, mas pacificamente, na solução dos problemas de ordem social e econômica, atinentes à doença, à pobreza, à ignorância, e à opressão, indispensável a paz dos povos e das nações."
12 julho 1968 – Quarta Aparição
A Igreja foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt 16,18). Ela recebeu d’Ele a missão de ensinar, santificar e governar. Seu conteúdo doutrinário — o depósito da fé — não pode ser alterado, relativizado ou moldado segundo as pressões culturais.
Quando se afirma que a Igreja deve agir “sem renúncia à sua essência e aos seus valores fundamentais”, recorda-se um princípio central: a verdade revelada não muda. Dogmas não evoluem no sentido de serem substituídos; eles se aprofundam na compreensão, mas permanecem os mesmos em substância.
Portanto, como católicos, devemos rejeitar tanto o imobilismo estéril quanto o progressismo que dilui a fé. A Igreja não é refém do passado nem serva do espírito do mundo. Ela é fiel a Cristo ontem, hoje e sempre.
Entretanto, fidelidade não significa rigidez pastoral. A história da Igreja demonstra que, mantendo intacta a doutrina, ela sempre soube adaptar métodos, linguagens e estratégias evangelizadoras.
O Concílio Vaticano II ensinou a importância de ler os “sinais dos tempos”, discernindo as necessidades concretas da humanidade à luz do Evangelho. Ajustar a ação à face dos tempos não é ceder ao mundo, mas compreender como anunciar a verdade eterna em contextos novos.
Hoje vivemos desafios distintos: secularização, relativismo moral, crises familiares, pobreza estrutural, desigualdade social, indiferença religiosa. Diante disso, a Igreja não pode se fechar. Ela deve evangelizar com clareza, mas também com misericórdia.
Por isso, nós, católicos, somos chamados a apoiar essa renovação pastoral legítima. Não devemos resistir por medo, nem exigir mudanças que contrariem a fé. Devemos colaborar para que a missão evangelizadora alcance os corações do nosso tempo.
A mensagem destaca que a missão da Igreja é “sobretudo espiritual e evangelizadora”. Este ponto é fundamental. A Igreja não é uma ONG, não é um partido político, nem uma organização meramente assistencial. Sua finalidade primeira é conduzir as almas à salvação eterna.
Entretanto, a fé católica nunca separou o espiritual do social. Desde os primeiros séculos, os cristãos cuidaram dos doentes, dos pobres e dos marginalizados. A Doutrina Social da Igreja ensina que a dignidade humana, a justiça, a solidariedade e o bem comum fazem parte do testemunho cristão.
Quando a mensagem menciona doença, pobreza, ignorância e opressão, ela ecoa o Evangelho: “Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).
Portanto, é necessário agir. Não basta rezar sem caridade concreta. Não basta falar de céu sem cuidar da terra onde os irmãos sofrem.
Há uma palavra importante na exortação: “pacificamente”. A Igreja transforma o mundo não pela violência, mas pela caridade. Sua força é o amor, sua arma é a verdade, seu método é o testemunho.
Participar da solução dos problemas sociais não significa promover divisão, ódio ou ideologização. Significa promover a justiça iluminada pela fé. Significa formar consciências retas. Significa agir com prudência e firmeza.
Como católicos, somos chamados a viver essa dimensão concreta da fé:
Participando da vida paroquial.
Apoiando obras sociais da Igreja.
Combatendo a ignorância por meio da formação cristã.
Defendendo a vida e a dignidade humana.
Sendo instrumentos de paz em nossa comunidade.
Não podemos ser católicos apenas de sacramento, mas ausentes na caridade.
A exortação atribuída à mensagem de Natividade não propõe ruptura, mas fidelidade dinâmica. Ela recorda que a Igreja deve permanecer firme na verdade e, ao mesmo tempo, ativa na missão.
Nós, Católicos Apostólicos Romanos, devemos assumir nossa responsabilidade. Não cabe crítica destrutiva, nem acomodação passiva. Cabe compromisso.
Que amemos a Igreja como Mãe. Que respeitemos sua autoridade. Que defendamos sua doutrina. Que colaboremos com sua missão.
Sem renunciar à essência.
Sem perder a identidade.
Sem abandonar os que sofrem.
Assim, seremos verdadeiramente Igreja viva: fiel a Cristo, obediente ao Magistério e presente nas dores do mundo, para que a paz dos povos e das nações não seja apenas um ideal, mas fruto da justiça iluminada pela fé.
Que Nossa Senhora nos ajude a viver essa fidelidade com coragem e serenidade.
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