A vida é, em essência, uma grande jornada. E em dois momentos cruciais dessa viagem, somos apresentados a um instrumento de apoio, um engenhoso aparato de metal e plástico: o andador. Imagine a cena, capturada não por uma lente, mas pela lente da alma, nos corredores de uma casa abençoada. De um lado, um bebê , recém-chegado ao mundo, sustentado pelo seu andador infantil, um carro de corrida colorido que mal toca o chão. Ele é a própria alvorada. De mãozinha no queixo, ele para. Não por cansaço, mas por pura, inebriante contemplação. Seus olhos, ainda pouco focados, mas cheios do brilho de um universo que se descortina, miram a outra ponta do corredor. Lá, lento, porém firme, move-se o seu idoso avô . Ele também está em seu andador, uma moldura prateada que sustenta um corpo que serviu fielmente por oito ou nove décadas. Seus ombros estão curvados não pelo peso do tempo, mas pelo peso da sabedoria. Sua mão, enrugada e manchada, agarra a espuma macia do apoio. Ele não está apressa...