A Criação que Louva: O Inusitado Visitante na Capela de Juiz de Fora

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  A liturgia cristã é, por excelência, o momento de encontro entre o Criador e a criatura, um espaço sagrado onde o tempo cronológico se abre à eternidade. Recentemente, um registro em vídeo divulgado pelo portal G1 Zona da Mata, revelou uma cena que parece ter saído da biografia de São Francisco de Assis. Na pequena capela da Comunidade Nossa Senhora da Visitação, em Juiz de Fora, um macaco-bugio tornou-se presença constante, acompanhando com seus sons característicos os cânticos e as preces da assembleia. O Cântico das Criaturas no Século XXI A presença deste primata, relatada com ternura pelo zelador da capela, José Mauro, convida-nos a uma reflexão profunda sobre a extensão da providência divina. Nas imagens exibidas pela reportagem, vemos o animal circular com naturalidade entre os bancos e até "dar a mão" aos presentes. Não estamos apenas perante um fenômeno biológico ou uma curiosidade local, mas diante de um lembrete vivo da harmonia que deve reger a Casa Comum, que é...

A Entrega Total: Encontrando Paz nas Mãos de Deus em Meio à Tribulação

 



Baseado na sabedoria da "Imitação de Cristo"


 A vida humana é marcada por altos e baixos, e muitas vezes nos encontramos cercados por dificuldades que parecem maiores do que nossas forças. Desde a nossa infância, somos apresentados a trabalhos, cansaços e, não raro, a nossa alma se entristece profundamente, chegando até às lágrimas. Nesses momentos de angústia, onde as paixões nos oprimem e a luz parece fraca, surge a pergunta essencial para todo cristão: como devemos nos comportar quando a tribulação bate à porta?

A resposta, encontrada na sabedoria antiga e sempre atual da fé, é o convite à entrega absoluta nas mãos da Divina Providência.

 

O Único Refúgio Verdadeiro

O primeiro passo para encontrar a paz no meio da tempestade é reconhecer quem é a fonte da verdadeira alegria. O homem, por si mesmo, nada tem. Tudo o que possuímos — a vida, os talentos, os bens e até a capacidade de amar — recebemos de Deus, muitas vezes sem qualquer mérito nosso. Se somos pobres e necessitados, Deus é a riqueza infinita.

Portanto, o servo de Deus não deve buscar a alegria em si mesmo, nem nas outras pessoas, pois tudo isso é passageiro e falho. A nossa esperança, a nossa coroa e a nossa glória devem estar firmadas unicamente no Senhor. Quando compreendemos que Ele é o Pai Santo e que tudo o que Ele faz é bom, o nosso coração começa a se acalmar. Mesmo na dor, podemos bendizê-Lo, pois sabemos que a Sua vontade é soberana e sempre visa o bem maior das nossas almas.


A Luz e a Escuridão: A Pedagogia Divina

Todos nós desejamos a paz. Suplicamos a Deus que nos alimente com a luz das Suas consolações. Quando Ele nos concede essa graça, a alma parece flutuar; fica cheia de uma doce melodia e somos capazes de louvá-Lo com fervor, transportados pelo amor. É fácil ser cristão quando tudo vai bem, quando a luz divina resplandece sobre nós e nos sentimos protegidos contra qualquer tentação.

No entanto, a verdadeira prova de fé acontece quando Deus, em Sua misteriosa sabedoria, parece se afastar. Há momentos em que não conseguimos "correr pelo caminho dos mandamentos" com a mesma leveza de antes. Sentimo-nos pesados, secos e sozinhos. O que fazer então?

Este é o momento de não desanimar, mas de se humilhar. Quando a consolação desaparece, resta-nos bater no peito e dobrar os joelhos. É hora de entender que, se Deus permite a provação, é porque chegou o momento de o servo ser testado. Não é um castigo destrutivo, mas uma preparação amorosa. O Pai, que é soberanamente adorável, sabe que precisamos passar por um breve tempo de abatimento exterior para que possamos viver, de forma mais profunda e verdadeira, com Ele no espírito.


O Sofrimento como Remédio da Alma

Para os olhos do mundo, o sofrimento é um mal a ser evitado a todo custo. Para os olhos da fé, porém, a tribulação pode ser um presente disfarçado. É uma graça que Deus concede aos Seus amigos: permitir que padeçam por Seu amor.

Nada neste mundo acontece por acaso. Não cai uma folha de uma árvore sem que a Providência Divina o permita. Tudo tem uma causa, um desígnio e uma ordem. Quando somos humilhados, quando nossos planos falham ou quando a doença nos visita, Deus está trabalhando em nós. Ele está "limpando a ferrugem dos vícios".

A soberba e a presunção são doenças espirituais graves que muitas vezes não percebemos quando estamos no auge do sucesso. Precisamos, às vezes, que o nosso rosto se cubra de confusão para aprendermos a não confiar nos homens, mas a buscar consolo somente em Deus. A tribulação nos ensina a temer os juízos de Deus, que são impenetráveis, mas sempre justos. Ele aflige tanto o justo quanto o pecador, mas sempre com o objetivo de curar e salvar.

Deus é o Médico celestial das almas. Ele fere para depois sarar; Ele permite o tormento para depois livrar. O Seu castigo é, na verdade, um ensino.


A Oração de Entrega: "Eis-me aqui"

Diante dessa realidade, a atitude mais sábia e piedosa é a rendição total. Devemos nos colocar diante de Deus e dizer: "Pai amantíssimo, eis-me aqui em Tuas mãos". Devemos nos inclinar debaixo da vara que corrige, permitindo que Ele dome a nossa vontade rebelde.

É melhor ser corrigido e purificado neste mundo, onde ainda há tempo para a conversão, do que enfrentar a justiça divina na eternidade. Deus conhece o passado, o presente e o futuro. Ele não precisa que ninguém Lhe explique o que se passa na Terra ou em nossos corações. Ele sabe exatamente o que é necessário para o nosso progresso espiritual. Ele sabe qual "remédio" amargo precisamos tomar hoje para sermos santos amanhã.

A nossa oração deve ser um pedido sincero para que Deus faça de nós discípulos humildes, prontos a obedecer ao menor sinal da Sua vontade. Não devemos pedir apenas para que a dor pare, mas para que a dor cumpra o seu propósito de nos santificar. Devemos pedir para não sermos desprezados por nossa vida pecaminosa, mas acolhidos pela misericórdia que transforma.


Discernimento e a Vaidade Humana

Por fim, a entrega a Deus exige que mudemos a nossa forma de ver o mundo. Frequentemente, nos enganamos com as aparências. Julgamos as coisas pelo exterior e damos um valor imenso ao que os outros pensam de nós.

Mas o que vale a opinião humana diante de Deus? Quando um homem elogia outro, muitas vezes é apenas "um cego guiando outro cego", ou "um vaidoso adulando outro vaidoso". Os louvores do mundo são vazios e podem nos levar à confusão e ao orgulho.

Devemos pedir ao Senhor a graça do verdadeiro discernimento: saber o que devemos saber, amar o que devemos amar e desprezar o que é odioso aos olhos de Deus. A verdadeira sabedoria é buscar sempre o que está em conformidade com a vontade divina, e não com a moda ou a opinião pública.

Como disse com grande sabedoria o humilde São Francisco de Assis: "O homem é o que é diante de Deus, e nada mais". Esta frase resume a essência da humildade cristã. Não somos maiores porque nos elogiam, nem menores porque nos criticam ou nos humilham. O nosso valor está em sermos filhos amados de Deus, criados e redimidos por Ele.

Que possamos, portanto, atravessar os vales escuros da vida com a confiança de filhos que seguram a mão do Pai. Se hoje há choro, sofrimento ou humilhação, saibamos que isso é apenas por "um pouco de tempo". O objetivo final é ressuscitar com Cristo na aurora de uma nova luz e possuir a glória do paraíso.

Entreguemos nossas angústias, nossos medos e nossa própria vontade Àquele que tudo sabe e tudo pode. Pois, ao aceitarmos a correção divina com paciência e amor, transformamos a nossa dor em um caminho seguro para o Céu. Que a nossa alma possa dizer, em qualquer circunstância: "Senhor, faça-se como Vós quereis, pois é bom tudo o que fazeis".

 

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