O Lugar do Coração: Amando os Animais sem Esquecer de Deus e do Próximo
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Paz e bem, querido(a) leitor(a)! Que a alegria do Senhor esteja no seu coração hoje e sempre.
Sabe, outro dia eu estava observando como o mundo mudou, não é verdade? Se a gente anda pelas ruas ou navega na internet, vê o quanto as pessoas estão dedicadas aos seus animais de estimação. É roupinha pra cá, festa de aniversário pra lá, carrinhos de bebê para cachorros... É uma dedicação que impressiona! E olha, não me entenda mal: ter um animalzinho em casa é uma bênção. Quem nunca sentiu o coração derreter com a alegria de um cachorro ao nos ver chegar, ou com o ronronar manso de um gatinho? Eles são, sem dúvida, um presente de Deus para alegrar a nossa caminhada.
Mas, como tudo na nossa vida de fé, precisamos ter equilíbrio. A nossa Igreja, que é mestra e guia, nos orienta com muita sabedoria através do Catecismo sobre como lidar com essa relação. Hoje, quero convidar você para um "papo reto", mas cheio de carinho e piedade, sobre por que não devemos idolatrar os animais e como amá-los da maneira que agrada a Deus.
A Criação é um Presente, não um deus
Tudo começa quando abrimos o livro do Gênesis e vemos Deus criando o céu, a terra, as plantas e os animais. No parágrafo 2415 do nosso Catecismo, a Igreja nos lembra que o sétimo mandamento (aquele que diz "não roubarás") também nos pede respeito pela integridade da criação. Isso porque o mundo não é nosso para a gente fazer o que bem entende, de forma egoísta. Ele é um bem comum da humanidade.
Os animais, as plantas e até as pedras foram feitos para o bem de todos — de quem já viveu, de quem vive hoje e de quem ainda vai nascer. Quando Deus deu ao homem o "domínio" sobre a criação, Ele não deu uma carta branca para a gente ser tirano. Esse domínio deve ser regulado pela preocupação com o próximo e pela qualidade de vida das futuras gerações. É um respeito religioso, sabe? É olhar para a natureza e ver nela as mãos do nosso Pai.
Olhando para os Animais com os Olhos de Deus
No parágrafo 2416, a Igreja diz algo lindo: os animais são criaturas de Deus e Ele os envolve na Sua solicitude providencial. Sabe o que isso significa? Que Deus cuida deles! Pelo simples fato de existirem, eles bendizem ao Senhor e Lhe dão glória. Um passarinho cantando de manhã não está apenas fazendo barulho; ele está, do jeito dele, louvando a Deus Aquele que o Criador.
Por isso, nós devemos, sim, estimá-los. Temos exemplos maravilhosos de santos que entendiam isso como ninguém. São Francisco de Assis chamava o lobo de irmão e os pássaros de irmãs. São Filipe de Néri tratava os animais com uma delicadeza que emocionava. Eles não amavam menos a Deus por amarem os animais; pelo contrário, o amor deles aos bichos era um transbordamento do amor que tinham por Deus. Eles viam a assinatura do Artista na obra.
O Equilíbrio Necessário: O Uso Legítimo
Aqui entramos num ponto que às vezes causa polêmica no mundo moderno, mas que a Igreja trata com muita clareza no parágrafo 2417. Deus confiou os animais ao governo do homem, que foi criado à Sua imagem e semelhança. Por isso, é legítimo, sim, usarmos os animais para alimentação e vestuário. É legítimo domesticá-los para que nos ajudem no trabalho ou tragam lazer ao nosso dia a dia.
Até mesmo as experiências médicas e científicas, se feitas dentro do razoável e para salvar vidas humanas, são moralmente aceitáveis. Por quê? Porque a vida humana tem uma dignidade especial, uma alma imortal que os animais não possuem. Deus nos colocou como cuidadores da criação, e usar os recursos que Ele nos deu para o bem da vida humana faz parte do plano divino, desde que feito com ética e sem crueldade.
O Perigo da Idolatria e o Desvio do Afeto
Agora, querido(a) leitor(a), preciso falar com você de coração aberto sobre o parágrafo 2418. É aqui que o bicho pega — com o perdão do trocadilho. A Igreja nos alerta que é contrário à dignidade humana fazer sofrer inutilmente os animais. Maltratar um animal é um pecado, é uma ofensa a Deus. Dispor da vida deles de qualquer jeito também é indigno.
Mas há um outro lado da moeda que é muito comum hoje em dia: gastar com animais somas de dinheiro que deveriam, prioritariamente, aliviar a miséria dos homens. Veja que coisa séria! Quantas vezes vemos pessoas gastando fortunas com luxos desnecessários para animais — como spas, joias ou festas luxuosas — enquanto há uma criança passando fome na esquina ou um idoso sem remédio?
O Catecismo é muito firme: "Pode-se amar os animais, mas não deveria desviar-se para eles o afecto só devido às pessoas". É aqui que mora o perigo da idolatria. Idolatrar é colocar algo no lugar de Deus ou dar a uma criatura o valor que só pertence ao ser humano.
5. Por que não podemos "humanizar" os animais?
Muitas pessoas, por estarem machucadas por outras pessoas, acabam se fechando e depositando todo o seu amor nos animais. Dizem frases como: "Quanto mais conheço os homens, mais amo o meu cachorro". Eu entendo a dor que pode haver por trás disso, mas essa frase é perigosa para a nossa alma.
Um animal, por mais dócil que seja, não pode substituir o próximo. O animal não tem consciência moral, não pode partilhar da Eucaristia com você, não pode te dar um conselho espiritual. Quando tratamos um animal como se fosse um filho humano, estamos, de certa forma, tirando a dignidade dele de ser animal e, ao mesmo tempo, fugindo da nossa responsabilidade de amar as pessoas, que é muito mais difícil, eu sei, mas é o que Jesus nos pediu.
Se o nosso carinho pelo animal nos torna menos pacientes com as pessoas, menos generosos com os pobres ou menos presentes na nossa família, o nosso afeto está desequilibrado. O animal deve ser nosso companheiro no caminho para o céu, não o nosso destino final.
Uma Proposta de Caminhada Pidosa
Então, como viver isso na prática?
Agradeça por eles: Ao olhar para o seu animalzinho, agradeça a Deus pela beleza da criação. Veja nele a bondade do Pai.
Cuide com responsabilidade: Dê comida, abrigo, carinho e assistência médica. Não deixe o bichinho sofrer. Isso é ser um bom administrador da criação.
Vigie o seu bolso: Antes de gastar com um "mimo" luxuoso para o seu pet, pergunte-se: "Será que esse dinheiro não faria mais falta em uma obra de caridade ou ajudando alguém da minha paróquia?".
Vigie o seu coração: Nunca deixe que o tempo dedicado ao animal roube o tempo da sua oração ou do serviço ao próximo. Se o cachorro passeia todo dia, mas você não visita um doente há meses, tem algo errado.
Meu querido(a) leitor(a), para concluirmos nosso bate-papo, temos que saber que os animais são criaturas maravilhosas, mas eles não são deuses e nem são gente. Eles são nossos "irmãos menores" na criação, como dizia o Pobrezinho de Assis. Amá-los da maneira certa é uma forma de louvar a Deus. Amá-los de forma exagerada ou idólatra é um caminho que nos afasta da nossa verdadeira missão.
Vamos pedir ao Senhor Jesus a graça do equilíbrio. Que saibamos ser bons para com os animais, mas que o nosso coração pertença inteiramente a Deus e que o nosso maior afeto seja sempre guardado para os nossos irmãos humanos, imagens vivas de Deus Criador.
Que São Francisco de Assis interceda por nós, para que possamos cuidar da Casa Comum, a Terra, com amor, sabedoria e muita fé!
Fique com Deus e que Ele te abençoe!
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