A Criação que Louva: O Inusitado Visitante na Capela de Juiz de Fora

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  A liturgia cristã é, por excelência, o momento de encontro entre o Criador e a criatura, um espaço sagrado onde o tempo cronológico se abre à eternidade. Recentemente, um registro em vídeo divulgado pelo portal G1 Zona da Mata, revelou uma cena que parece ter saído da biografia de São Francisco de Assis. Na pequena capela da Comunidade Nossa Senhora da Visitação, em Juiz de Fora, um macaco-bugio tornou-se presença constante, acompanhando com seus sons característicos os cânticos e as preces da assembleia. O Cântico das Criaturas no Século XXI A presença deste primata, relatada com ternura pelo zelador da capela, José Mauro, convida-nos a uma reflexão profunda sobre a extensão da providência divina. Nas imagens exibidas pela reportagem, vemos o animal circular com naturalidade entre os bancos e até "dar a mão" aos presentes. Não estamos apenas perante um fenômeno biológico ou uma curiosidade local, mas diante de um lembrete vivo da harmonia que deve reger a Casa Comum, que é...

O Pulo do Gato Divino: A Alegria de ser Amado Primeiro

 


Sabe, se a nossa fé fosse um quebra-cabeça de mil peças, o parágrafo 604 do Catecismo da Igreja Católica (CIC) seria aquela peça central que dá sentido a todo o resto. Ele fala sobre o "estilo" de Deus amar. E, olha, o estilo d'Ele é bem diferente do nosso! Vamos desbravar esse texto com o coração aberto e muita alegria?

 

Quem deu o primeiro passo?

O texto do parágrafo 604 do CIC, começa com uma afirmação que deveria nos fazer pular de alegria: «Entregando o seu Filho pelos nossos pecados, Deus manifesta que o seu plano sobre nós é um desígnio de amor benevolente, independente de qualquer mérito da nossa parte».

Pare um pouquinho e saboreie a expressão: "independente de qualquer mérito". No nosso mundo, a gente está acostumado a ganhar as coisas por esforço, não é? Se você trabalha, ganha salário. Se estuda, ganha nota. Mas com Deus, a economia é outra! O Seu plano não é uma resposta ao nosso bom comportamento. É uma iniciativa d'Ele, que brota da Sua pura bondade.

O CIC nos lembram que Deus é infinitamente perfeito e bem-aventurado em Si mesmo. Ele não precisava de nós para ser feliz! Mas, em um "desígnio de pura bondade", Ele nos criou livremente para nos fazer participar da Sua vida. O parágrafo 604 do CIC é a prova definitiva de que Deus não desistiu desse plano, mesmo quando nós nos afastamos d'Ele pelo pecado.

 

O Amor que Chega Antes

O parágrafo 604 do CIC cita uma passagem bíblica maravilhosa da Primeira Carta de São João: "Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Deus que nos amou a nós...".

Isso é o que eu gosto de chamar de "o pulo do gato" da teologia. Às vezes, a gente vive cansado, tentando "alcançar" a Deus, tentando ser "santo o suficiente" para que Ele finalmente olhe para nós com carinho. Mas o Catecismo nos vira do avesso! Ele diz que Deus já está olhando, já está amando e já enviou o Seu Filho como "vítima de propiciação" antes mesmo de abrirmos a boca para dizer "obrigado".

A nossa fé não é uma busca frenética do homem por Deus, mas sim a história de Deus que vem ao encontro do homem. Ele é como aquele pai da parábola do filho pródigo, que não fica sentado esperando o filho pedir desculpas de joelhos, mas que corre ao seu encontro enquanto ele ainda está longe. Esse é o "amor benevolente" que o parágrafo 604 do CIC celebra.

 

Amados Enquanto "Vilões"

Mas a parte mais "explosiva" do parágrafo 604 do CIC vem agora, ao citar a Carta aos Romanos: «Deus prova assim o seu amor para conosco: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores».

Gente, isso é revolucionário! Humanamente, a gente ama quem é amável. A gente faz sacrifícios por quem merece. Mas Deus prova que é Deus justamente amando o "não amável". Cristo não esperou que a gente se tornasse "bonzinho" para morrer por nós. Ele se entregou quando estávamos na lama, perdidos, sendo "inimigos" de Deus pelo pecado.

Como o CIC, Jesus "assumiu-nos no afastamento do nosso pecado". Ele se tornou solidário conosco, pecadores, para que fôssemos reconciliados. Isso significa que não há escuridão em sua vida, nenhum erro do passado e nenhuma fraqueza atual que possa impedir Deus de amar você. Ele já provou isso na Cruz, de uma vez por todas.

 

 A Gratuidade que Liberta

Saber que o amor de Deus é gratuito — o que os teólogos chamamos de graça — é a coisa mais libertadora que existe. As fontes explicam que a graça é um favor, um socorro gratuito. Ela não é um troféu para os fortes, mas um remédio para os fracos.

Se o amor de Deus dependesse do nosso mérito, viveríamos em constante ansiedade, morrendo de medo de falhar e perder esse amor. Mas o parágrafo 604 do CIC nos coloca em terra firme: o amor d'Ele é um "desígnio de amor benevolente". É um presente! E um presente a gente não conquista, a gente apenas abre os braços e acolhe com gratidão.

Essa gratuidade deve gerar em nós uma alegria imensa! O homem não vive uma vida plenamente humana senão na medida em que vive livremente sua relação com Deus. E essa relação só é livre se soubermos que somos aceitos não pelo que fazemos, mas por Quem Deus é.

 

Um Convite à Resposta

Você pode estar se perguntando: "Então eu não preciso fazer nada?". Ah, meu amigo, é aí que a alegria se transforma em ação! Quando a gente se sente amado de verdade, sem cobranças, o nosso coração naturalmente quer retribuir.

A resposta adequada a esse convite de amor é a . A fé é o "sim" do homem a Deus. É entregar a inteligência e a vontade a esse Deus que é Amor. Quando entendemos o parágrafo 604 do CIC, o nosso desejo de seguir os mandamentos não nasce mais do medo do castigo, mas de um coração apaixonado que quer agradar ao seu Amado.

Como o próprio Jesus disse: «Permanecerei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor». Os mandamentos deixam de ser "regras chatas" e passam a ser o caminho para ficarmos perto de Quem nos amou primeiro.

 

Viva na Luz do 604!

Para encerrar nossa conversa, quero te fazer um convite. Toda vez que você se sentir diminuído, toda vez que a culpa bater à sua porta ou que você achar que não tem valor, abra o seu Catecismo no parágrafo 604.

Lembre-se de que você faz parte de um "plano de amor benevolente". Você é amado por um Deus que não faz acepção de pessoas e que deseja que nenhum de seus "pequeninos" se perca. O sacrifício de Cristo na cruz é o "amém" definitivo de Deus para a sua vida.

Que essa certeza te dê um sorriso no rosto e uma paz profunda no coração. Afinal, como dizia Santa Teresa de Jesus: «Só Deus basta». E esse Deus, como acabamos de ver, já te escolheu e já te ama com um amor que não tem fim!

Analogia para não esquecer: Imagine que você está participando de uma maratona. Na maioria das corridas deste mundo, você só ganha a medalha se chegar ao fim e vencer. Mas, na "corrida de Deus", Ele vem até a linha de largada, coloca a medalha de ouro no seu pescoço, te dá um abraço e diz: "Agora que você já sabe que é o meu campeão, vamos correr juntos por pura alegria?". Isso é o parágrafo 604 do CIC!

 



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