O Pulo do Gato Divino: A Alegria de ser Amado Primeiro
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Sabe, se a nossa fé fosse um quebra-cabeça
de mil peças, o parágrafo 604 do Catecismo da Igreja Católica (CIC) seria
aquela peça central que dá sentido a todo o resto. Ele fala sobre o
"estilo" de Deus amar. E, olha, o estilo d'Ele é bem diferente do
nosso! Vamos desbravar esse texto com o coração aberto e muita alegria?
Quem deu o primeiro passo?
O texto do parágrafo 604 do CIC, começa com
uma afirmação que deveria nos fazer pular de alegria: «Entregando o seu
Filho pelos nossos pecados, Deus manifesta que o seu plano sobre nós é um
desígnio de amor benevolente, independente de qualquer mérito da nossa parte».
Pare um pouquinho e saboreie a expressão: "independente
de qualquer mérito". No nosso mundo, a gente está acostumado a ganhar
as coisas por esforço, não é? Se você trabalha, ganha salário. Se estuda, ganha
nota. Mas com Deus, a economia é outra! O Seu plano não é uma resposta ao nosso
bom comportamento. É uma iniciativa d'Ele, que brota da Sua pura bondade.
O CIC nos lembram que Deus é infinitamente
perfeito e bem-aventurado em Si mesmo. Ele não precisava de nós para ser feliz!
Mas, em um "desígnio de pura bondade", Ele nos criou livremente para
nos fazer participar da Sua vida. O parágrafo 604 do CIC é a prova definitiva
de que Deus não desistiu desse plano, mesmo quando nós nos afastamos d'Ele pelo
pecado.
O Amor que Chega Antes
O parágrafo 604 do CIC cita uma passagem
bíblica maravilhosa da Primeira Carta de São João: "Nisto consiste o
amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Deus que nos amou a nós...".
Isso é o que eu gosto de chamar de "o
pulo do gato" da teologia. Às vezes, a gente vive cansado, tentando
"alcançar" a Deus, tentando ser "santo o suficiente" para
que Ele finalmente olhe para nós com carinho. Mas o Catecismo nos vira do
avesso! Ele diz que Deus já está olhando, já está amando e já enviou o Seu
Filho como "vítima de propiciação" antes mesmo de abrirmos a boca
para dizer "obrigado".
A nossa fé não é uma busca frenética do
homem por Deus, mas sim a história de Deus que vem ao encontro do homem. Ele é
como aquele pai da parábola do filho pródigo, que não fica sentado esperando o
filho pedir desculpas de joelhos, mas que corre ao seu encontro enquanto ele
ainda está longe. Esse é o "amor benevolente" que o parágrafo 604 do
CIC celebra.
Amados Enquanto "Vilões"
Mas a parte mais "explosiva" do
parágrafo 604 do CIC vem agora, ao citar a Carta aos Romanos: «Deus prova
assim o seu amor para conosco: Cristo morreu por nós quando ainda éramos
pecadores».
Gente, isso é revolucionário! Humanamente,
a gente ama quem é amável. A gente faz sacrifícios por quem merece. Mas Deus
prova que é Deus justamente amando o "não amável". Cristo não esperou
que a gente se tornasse "bonzinho" para morrer por nós. Ele se
entregou quando estávamos na lama, perdidos, sendo "inimigos" de Deus
pelo pecado.
Como o CIC, Jesus "assumiu-nos no
afastamento do nosso pecado". Ele se tornou solidário conosco, pecadores,
para que fôssemos reconciliados. Isso significa que não há escuridão em sua
vida, nenhum erro do passado e nenhuma fraqueza atual que possa impedir Deus de
amar você. Ele já provou isso na Cruz, de uma vez por todas.
A
Gratuidade que Liberta
Saber que o amor de Deus é gratuito — o que
os teólogos chamamos de graça — é a coisa mais libertadora que existe.
As fontes explicam que a graça é um favor, um socorro gratuito. Ela não é um
troféu para os fortes, mas um remédio para os fracos.
Se o amor de Deus dependesse do nosso
mérito, viveríamos em constante ansiedade, morrendo de medo de falhar e perder
esse amor. Mas o parágrafo 604 do CIC nos coloca em terra firme: o amor d'Ele é
um "desígnio de amor benevolente". É um presente! E um presente a
gente não conquista, a gente apenas abre os braços e acolhe com gratidão.
Essa gratuidade deve gerar em nós uma
alegria imensa! O homem não vive uma vida plenamente humana senão na medida em
que vive livremente sua relação com Deus. E essa relação só é livre se
soubermos que somos aceitos não pelo que fazemos, mas por Quem Deus é.
Um Convite à Resposta
Você pode estar se perguntando: "Então
eu não preciso fazer nada?". Ah, meu amigo, é aí que a alegria se
transforma em ação! Quando a gente se sente amado de verdade, sem cobranças, o
nosso coração naturalmente quer retribuir.
A resposta adequada a esse convite de amor
é a fé. A fé é o "sim" do homem a Deus. É entregar a
inteligência e a vontade a esse Deus que é Amor. Quando entendemos o parágrafo
604 do CIC, o nosso desejo de seguir os mandamentos não nasce mais do medo do
castigo, mas de um coração apaixonado que quer agradar ao seu Amado.
Como o próprio Jesus disse: «Permanecerei
no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor». Os
mandamentos deixam de ser "regras chatas" e passam a ser o caminho
para ficarmos perto de Quem nos amou primeiro.
Viva na Luz do 604!
Para encerrar nossa conversa, quero te
fazer um convite. Toda vez que você se sentir diminuído, toda vez que a culpa
bater à sua porta ou que você achar que não tem valor, abra o seu Catecismo no
parágrafo 604.
Lembre-se de que você faz parte de um
"plano de amor benevolente". Você é amado por um Deus que não faz
acepção de pessoas e que deseja que nenhum de seus "pequeninos" se
perca. O sacrifício de Cristo na cruz é o "amém" definitivo de Deus
para a sua vida.
Que essa certeza te dê um sorriso no rosto
e uma paz profunda no coração. Afinal, como dizia Santa Teresa de Jesus: «Só
Deus basta». E esse Deus, como acabamos de ver, já te escolheu e já te ama
com um amor que não tem fim!
Analogia para não esquecer: Imagine que você
está participando de uma maratona. Na maioria das corridas deste mundo, você só
ganha a medalha se chegar ao fim e vencer. Mas, na "corrida de Deus",
Ele vem até a linha de largada, coloca a medalha de ouro no seu pescoço, te dá
um abraço e diz: "Agora que você já sabe que é o meu campeão, vamos correr
juntos por pura alegria?". Isso é o parágrafo 604 do CIC!
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